CLÉU ARAÚJO
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31 dias

por: Cléo Araújo

13 JUL

2014

Foram dias estranhos, esses.

Cada um com sua deliciosa e peculiar estranheza.

Usei gírias, por exemplo. Brisei, colei, parti. Tomei um toco. Tunguei um banho, um dia. No outro, tomei quatro. Um deles, frio.

Gente nova? Conheci, sim. Conversei tanto. Gritei, um pouco. Perdi a voz.

Circulei e fui circulada por um milhão de terabytes. Minha galeria de fotos (e vídeos) parece um museu de estranhezas altamente elaboradas pelo cara mais estranho no auge da sua estranha criatividade.

Queimei alguns neurônios. Por sorte, os estranhos, aqueles que eu uso menos nos dias normais.

Vi o sol nascer, vi a lua ir crescendo, crescendo, até encher meu céu de laranja e azul. Ah, dias de não me chama que eu vou. Deliciosos. Peculiares. Estranhos.

Me convidei. Fui de bico, também. E, olha, acredite, quase, mas quase fiz um bico e tirei uma foto no espelho. Ápice da estranheza estranha, seria.

Mas não dormi, não. Dormir para quê? Amanhã vai ser estranho, mesmo, coisa inútil a tal de dormir.

Jantei mussarela quase todas as noites. Teve dias de quatro fatias, até. Banquete!

De tão estranho esse último mês, até aniversário eu fiz.

Incomum. Infrequente. Instável.

Pulei ao som de ACDC e Zeca Baleiro. Em dias diferentes, mas nem por isso menos estranhos.

Acho que quase fui presa. Não iria nem estranhar.

Adolesci ao mesmo tempo em que envelheci cerca de 14, talvez 15 anos.

Ouvi meu nome e sobrenome no autofalante. Estranhei, no começo. Mas normal. Estava tudo tão estranho, mesmo, enfim.

Acordei de ressaca, um dia, sem ter bebido uma gota sequer de álcool ou Powerade.

Aumentei a carga na academia. Mas, como eram dias muito estranhos, achei melhor nem ir. E aí, nem fui.

Não sei o que vou fazer amanhã.

Mas melhor começar a planejar.

É dia 13, o último dia. O fim do ciclo.

E é assim que, então, num lugar estranho, tudo já começa a voltar ao normal.

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