CLÉU ARAÚJO
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A invasão das árvores de Natal precipitadas

por: Cléo Araújo

31 OUT

2005

Ainda faltam dois longos meses para 2005 terminar. Dois meses cheios de dias. Sessenta dias de trabalho, recheados de coisas para fazer. E eu já estou com a cabeça nas férias de final de ano. Meu corpo já está pedindo pelo verão, pela piscina, pela caipirosca de lima da Pérsia, pelo sol, pelo biquíni, pelo dolce fare niente e pelo calorzão que só cabe bem mesmo em dias de férias. Férias, querida, eu preciso tanto de você que você nem sabe.

Tudo começou ontem. Senti-me como o personagem de Nick Hornby em “About a boy”. Eu e minha amiga fomos atropeladas por uma árvore de Natal quando inocentemente nos dirigimos a um shopping para um simples almoço numa quinta-feira qualquer. Ela estava lá, se esticando até o alto, cheia das bolas, das guirlandas e das renas. E a gente levou um susto. Caramba, ainda é outubro! Isso são horas?

A data da instalação dos enfeites de Natal em shoppings, ruas, avenidas e vitrines se antecipa a cada ano. Não duvido nada que no ano que vem a gente venha a se deparar com um Papai Noel na fachada de um banco na Av. Paulista no começo de setembro. E proporcionalmente à entrada da decoração de Natal em nossas vidas, está entrando também em minha vida pré-novembrina aquela necessidade antecipada para que o ano termine logo. Para que eu possa me jogar numa espreguiçadeira de piscina, com uma revista, um copo de suco de abacaxi com hortelã e um cheiro de protetor solar exalando e contaminando o ar.

Isso não é saudável. Não, não é porque o ano, embora tenha apenas dois meses pela frente, ainda reserva mil tarefas, mil afazeres, mil obrigações. Esse 17% de ano que ainda me aguarda o faz de maneira quase que ranzinza. O grande projeto do ano no trabalho ainda está por ser realizado e a minha lista de promessas pessoais para o período ainda não foi cumprida ao longo desses 83% de ano que já se foram (sim, tive que fazer muitos cálculos para descobrir que essas são as frações do ano que já se foram e que ainda faltam. Aprender matemática não foi uma das promessas para 2005).

E aqui eu me pego, escrevendo em pleno mês de outubro sobre esses assuntos que geralmente são publicados em dezembro. A invasão das árvores de Natal precipitadas e a ação dos administradores de shoppings cujo foco é a primeira parcela do décimo terceiro me fizeram antecipar a minha necessidade de férias. E aí bastou uma mordida num pêssego, o maior gosto de ceia de Natal de todo mundo, para que eu acordasse pedindo para que o dia 24 de dezembro chegue logo, por favor, o mais rápido possível.

E hoje está fazendo um sol lindo lá fora. E eu já posso até sentir o cheiro do verão no ar.

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