CLÉU ARAÚJO
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O casamento do meu melhor amigo

por: Cléo Araújo

15 MAR

2005

Eu adoro casamentos. Não, essa não é uma defesa à instituição do casamento ou uma crítica a todos os outros tipos de uniões estáveis e de vida a dois fora das convenções religiosas e civis, longe disso. É que eu adoro o evento “casamento”, o dia do casamento, o ato todo de casar. É algo que me encanta. Acho bonito, acho divertido, acho corajoso. Sim, eu tenho sim vontade de casar, mas mais do que isso, eu tenho vontade de ir a casamentos, muitos, sempre que possível. Para sentir aquela coisa boa que fica no ar, para ter que segurar o choro (sim, eu choro), para dançar, abraçar muita gente e ir embora com o sol nascendo, o cabelo despenteado e com as sandálias na mão.

E especialmente se for o casamento de pessoas próximas, irmã amigas, amigos, gente de perto. A gente meio que casa junto com eles. A gente entra na igreja com o noivo, com a daminha e com a noiva. A gente acompanha tudo, do dia do pedido (sim, alguns casais ainda conseguem passar pela experiência de “pedir” e ser “pedido”) até o dia do “sim”. A gente fica feliz, chora, se emociona, sorri, joga arroz. O dia do casamento do nosso melhor amigo é um dia tão especial para eles, os noivos, quanto é para nós, os melhores amigos.

Casar é divertido, é gracioso. E que grande razão para fazer uma festa é essa de prometer para outra pessoa a sua “honra, respeito e fidelidade por todos os dias da sua vida”. Eu não conheço razão melhor para festejos do que essa. Sem contar que agora, na igreja católica, os padres não mais usam o termo “até que a morte os separe”, o que é fantástico. Ele oferece a benção “por todos os dias da vida” daquele casal. É tão mais otimista, tão mais espiritual. Até porque, se ninguém sabe o que vem depois, quem é que pode provar que a morte separa mesmo? Ponto para os padres.

Volto ao casamento, à cerimônia em si, às suas músicas e a seus perfumes e trajes. Todo mundo fica tão bonito no dia do casamento do melhor amigo. E essa é outra bela razão para ficar bonito, para se arrumar, para comprar um terno novo, se maquiar e usar um cabelo diferente daquele que você usa no seu dia-a-dia. Não é todo dia que um melhor amigo se casa.

No casamento do melhor amigo até o noivo tem a chance de dar pitaco no discurso. “E você, senhor noivo, tem algo a acrescentar à minha fala? Esqueci de alguma coisa?”- pergunta o padre. É claro que o noivo não tem nada a acrescentar, o que ele quer é sair logo do centro das atenções e beijar a sua esposa, com quem ele escolheu passar o resto da sua vida. E o melhor amigo, aquele que fica ali, em volta do altar, torce para cerimônia não terminar tão cedo. Sim, o melhor amigo fica firme no altar, de pezinho, tão envolvido quanto a noiva, tão atencioso quanto o padre.

Quando o nosso melhor amigo se casa, a gente, que é solteiro, acaba meio que casando junto também. Eu me casei quando minha irmã se casou, eu me casei ontem, quando minha grande amiga se casou. E eu espero me casar ainda muitas vezes, uma para cada grande amiga e grande amigo que tiver a coragem e a sorte de realizar esse ato feliz. E reservo uma vezinha só para mim mesma, que também sou a melhor amiga de outras pessoas, ou não sou? Quero me casar com um marido só, mas quero me casar com vários melhores amigos, que eu quero que estejam ali do meu lado, sentindo a minha alegria e se casando um pouquinho comigo também.

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