CLÉU ARAÚJO
Crônicas Contos Aforismos Fatos Invenções

O céu do Vitorino

por: Cléo Araújo

08 ABR

2011

O céu do Vitorino é um chão fresco de varanda.

Bate uma brisa. Late um cachorro. Chama um amigo, no portão.

O céu do Vitorino é final de tarde de domingo.

Tem um jogo, um rádio à pilha. Drible do Canhoteiro. Gol do Diamante.

No céu do Vitorino voa canarinho, rolinha e coruja. No chão do céu, tartaruga, cobra e pavão. No céu do Vitorino, viveiro aberto de
bicho solto, tem pé de acerola, maracujá e romã.

No céu do Vitorino passeiam Fulô e Balzac. Boneca e Lilica. Tem poodle bravo de nome francês. Tem papagaio que assobia o hino.
Boné? Tem para escolher.

Na vitrola do céu do Vitorino, Nelson Gonçalves e Nat King Cole. Boemia e Mona Lisa. “Mona Lisa… Mona Lisa… Aqui não tem frango, nem massa. Ninguém come macarrão! Café vem em caneca de alumínio. No jantar e no almoço, tem banana e tem pão.”

No céu do Vitorino, carro velho fica novo. Perereca é fusca cor de cereja. Caminhonete brilha de azul cobalto. Índia é motocicleta dourada. Lá tem uma oficina celeste, tudo limpo e feito a mão.

No céu do Vitorino pode um cigarro, uma caninha e uma fezinha. Uma gelada que a netinha provou. No céu do Vitorino não tem regra nem
hora. Tem sossego e banho quente. Chinelo de couro, pudim de pão.

Da calçada do céu do Vitorino, canta todo azul do céu de abril.

Um arco-íris, um riachinho.

Uma beira de rio.

O céu do Vitorino é o Vitorino em um lugar.

Só choram de alegre, de contente, de emoção ou gargalhar.

E o bom, o melhor mesmo, desse céu do Vitorino…

… É que Vitorino mal chega, já é a hora de pescar.

Deixe seu Comentário

Aviso: A moderação de comentários está habilitada e pode atrasar seu comentário. Não há necessidade de reenviar seu comentário.