CLÉU ARAÚJO
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O ‘top five’ nosso de cada dia

por: Cléo Araújo

05 AGO

2005

_ “Alguém já colocou o Diego Luna?”

_ “Eu coloquei, mas o cara não vai chegar em primeiro, tem outros doze na frente dele.”

_ “Tá, então, eu coloco ele mais alto na minha, não posso permitir que ele fique de fora.”

_ “Vocês acham muito óbvio que apareça na minha um George Clooney, por exemplo?”

_ Acho que não, quer dizer, se a gente parte desse princípio, ficam de fora todos os óbvios, de Tom Cruise a Gary Oldman”.

Que atire a primeira bolinha de guardanapo aquele que nunca se permitiu passar um dia inteirinho de forma absolutamente morgativa. Aquele dia em que nada, nada no mundo parece ser mais perfeito do que o conforto do seu lar e a companhia de amigos que, assim como você, são capazes de ser feliz apenas por terem a oportunidade da contemplação do nada absoluto. Amigos estilo “Seinfeld” mesmo. Nessas horas surgem o tabuleiro de ludo da Disney, a caixa de “Detetive”, de “War” e muito papel, que geralmente termina rabiscado por seqüências intermináveis de “Stop”.

E é assim também que se brinca de Top Five. A tarefa da brincadeira é sair produzindo o maior número de listas de Top Five possível. Cada jogador produz a sua e, depois, intercambiam-se as informações, de modo a sublimar todas as listas em uma única. Os cinco pratos preferidos, as cinco brincadeiras mais divertidas da infância, os cinco professores mais detestáveis, os cinco empregos dos sonhos, as cinco balas mais gostosas, os cinco beijos dados dentro de carro mais recordados, as cinco músicas mais bregas com quem você já dançou numa festa dançante aos doze anos e por aí a coisa vai.

Como na última brincadeira éramos três mulheres, todas com mais de 25 anos, a nos divertir, é claro que chegamos ao Top Five dos homens famosos (não valia conhecido) mais deliciosos do mundo. Cada uma produziu a sua lista. Mas o que era para ser um Top Five acabou se transformando em um Top Forty-Three Plus. Nenhuma de nós parecia ser capaz de reduzir todo o seu amor a apenas cinco sujeitos, sendo que o mundo todo estava à nossa disposição. E mais complexo ainda: começamos a analisar a durabilidade da lista, pois mesmo essa, que era produzida em 2005, correria o risco claro de estar completamente desatualizada daqui a dois anos. A brincadeira completou-se, então, da seguinte forma: a lista seria dupla – a dos caras mais mais de hoje e a dos mais mais dos tempos quando tudo que a gente queria era fazer logo 16 anos.

A disputa foi acirradíssima! Tanto no passado quanto no presente. Mas depois de muitos estudos chegamos à lista dos cinco caras mais deliciosos de todos os tempos, sejam eles do passado ou do presente:

5º lugar do presente: Keanu Reeves
Podem dizer o que quiserem, mas ele, Neo, chegou aqui com todo louvor. O cara é gay? Casou-se com um figurão numa mansão em Malibu? Para gente, tanto faz. Até porque, essas histórias têm mais cara de lenda urbana do que aquela do estômago do menino que explodiu depois que ele comeu dipilique e guaraná ao mesmo tempo. O cara é estranho, não diz coisa com coisa? Pois aí reside grande parte de seu charme. Morpheus acreditou nele e a gente também. Constantine, o nosso exótico mais delicioso, ocupando um 5º lugar mais difícil do que o 5º lugar na lista da People.

5º lugar do passado: Morten, o vocalista do A-Há
Ele usava bermuda de lycra. Tinha pernões, topete e dois caras feinhos e insignificantes que ficavam do seu lado enquanto ele entoava os refrões que melodiaram as nossas vidas adolescentes. A gente nem sabia falar inglês direito, mas vibrava ao som de “Take on me”. Cantava “ao bi gooon, intiura-tiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiii” enquanto ele se desintegrava naquele vídeo-clipe do gibi. A gente aprendia as letras e cantava de cor “Hunting high and low” e “Touch.” Sonhava em visitar a Noruega para ver o Morten de perto, o que parecia ser mais fácil do que convencer a nossa mãe a deixar a gente ir de excursão para o Rock in Rio.

 

4º lugar do presente: Ewan Mc’Gregor
Mr. Kenobi, o escocês mais fantástico de toda britânia. Ele já inspirou outras crônicas, ou vocês pensaram que o escocês que divide a cena com o elfo e o guerrilheiro era quem? Além de tudo, ele tem uma voz linda. Fica lindo até quando mergulha no vaso sanitário em busca de uma bolinha alucinante, em Transpotting. Ewan, o nosso 4º lugar. Sem muita explicação, porque ele não precisa disso, a força está com ele, sempre.

 

4º lugar do passado: Nuno Bittencourt, o português do Extreme
“More than words”. Você pode até não se lembrar do Nuno, mas certamente já chorou, apaixonada pelo menino da sétima série, ouvindo o som da sua guitarra quando as rádios executavam sem parar essa música. O cara não é muito conhecido, tinham outros cabeludos mais famosos do que ele na época – como o Sebastian, do Skid Row, ou mesmo o Axel Rose – mas para gente, sempre foi o Nuno. Ele era mais meigo. Tinha umas unhas estranhas, pintadas de preto, mas a sua boca grossa fazia a gente amá-lo de paixão. Foi outro show para o qual a gente nunca conseguiu ir.

 

3º lugar do presente: Gael Garcia Bernal
Pele latino-americana, perfume latino-americano (com toda certeza), cara de menino, jeito de homem. Sorriso meigo. Um dentinho torto. Ele não é o Brad Pitt, nem o Tom Cruise, nem aquele tal do Collin Farrel. E por não ser nenhum deles é que ele é tudo. Além do que, ele foi o Che e, depois disso, ficou difícil concorrer com ele.

 

3º lugar do passado: Donnie Walbergh, do New Kids on the Block
Acho que talvez porque ele representasse o doidinho, o desencanado, o meio grunge e menos afeminado da banda. Ou talvez fosse pelo simples fato dele ter uma gostosura que não tinha tamanho. Embora seu irmão, Mark Walbergh, tenha se dado muito bem como ator, a gente ainda fica solidarizada com o Donnie, que acabou não vingando. A gente não faz idéia de onde ele esteja hoje. Donnie, o único “kid on the block” que interessava durante toda a sétima série.

 

2º lugar do presente: Edward Northon
Lindo, sexy, inteligente, frágil, seguro e determinado. O sempre anti-herói, salvo raras exceções. O personagem Monty, do filme de Spike Lee “A última noite”, traz Ed em sua mais fantástica forma: nem tão bombado, nem tão magro; nem tão loiro, nem tão moreno; nem tão herói, nem tão mocinho. Tanto que o personagem, ao saber que irá para a cadeia na manhã seguinte da noite que dá nome ao filme, pede para que seu amigo destrua a sua carinha de bebê. E o amigo vai lá e destrói. Só assim mesmo.

 

2º lugar do passado: David, o Bruce Willis de “A Gata e o Rato”
Não era qualquer Bruce Willis. Era o David especificamente, era o Bruce dentro da agência de detetives Blue Moon que mexia com a gente. A gente nunca tinha ouvido a voz original dele, por isso, a paixão por David estava intrinsecamente vinculada àquela voz que o dublava. Tanto que até hoje, qualquer que seja o filme, quando é dublado, está lá a voz de Bruce Willis, inconfundível.

 

1º lugar do presente: Matthew McConaughey
E isso não teve nada a ver com “Sahara”, aonde o cara já chegou mostrando a que vinha, com um tórax ainda mais fascinante do que o que ele tinha quando conquistou a 1ª posição nessa lista. Ele chegou aqui por mérito do reverendo em “Contato”, pela malemolência, pela simpatia, pelo sorriso de meio-lábio e porque era ele quem a gente queria ter ao lado para tomar uma cerveja. Mathew, o cara que deixou para trás Edward Burns, Diego Luna, Jim Cavizel, Jude Law e David Schwimmer.

 

1º lugar do passado: Harrison Ford
Han Solo… Difícil lembrar quantas foram as sessões de o “Império Contra Ataca”… Incontáveis. E em todas as vezes as lágrimas corriam quando chegava a cena do congelamento, mesmo a gente sabendo que tudo daria certo até muito antes de “O Retorno de Jedi”. E a coisa não pararia por aí, porque depois de Han Solo, a gente ainda teria que conviver por anos com ele, Indiana Jones. Ele sempre teve um ar de mais velho, mesmo quando era novo. E talvez por ser a antítese de tudo que a gente tinha à nossa volta na sexta série, é que ele era o nosso ídolo maior, fosse segurando um chicote, fosse ao lado do Chewbaca.

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